O texto narra a jornada emocional de uma jovem que enfrenta pela primeira vez a intensidade de um sentimento amoroso. Entre medo, fuga, desejo e entrega, ela vive um conflito interno profundo, dialogando com seu próprio coração até chegar a um ponto de aceitação — mesmo sem respostas.
O vento daquela tarde parecia diferente.
Não mais forte… nem mais frio. Só… mais presente. Como se ele quisesse me avisar de algo que eu ainda não tinha entendido.
Eu estava parada na calçada, olhando o movimento dos carros passando, cada um com seu destino, sua pressa, sua lógica. E ali estava eu… sem lógica nenhuma.
Foi quando eu senti.
Antes mesmo de ver.
Aquela sensação estranha, como se meu corpo reconhecesse alguém antes dos meus olhos confirmarem. Meu coração — traidor — começou a acelerar. Não foi devagar. Foi abrupto. Como se tivesse tropeçado e saído correndo.
Eu nem precisei virar totalmente o rosto.
Era ele.
E lá estava aquele sorriso leve, tranquilo, como se o mundo fosse um lugar simples de viver. Como se tudo fosse fácil.
Como ele consegue?
— Calma… — eu sussurrei para mim mesma, quase sem mexer os lábios.
Mas não adiantou.
Meu coração ignorou.
Ele veio se aproximando, com aquele jeito natural, conversando com alguém, rindo baixo. Eu observei os detalhes como se fosse a primeira vez que enxergasse alguém de verdade. O jeito que ele mexe as mãos ao falar. O olhar atento. A leve inclinação da cabeça quando escuta.
Por que isso importa tanto?
— Isso não é normal… — pensei.
E ao mesmo tempo:
— Mas eu não quero que pare.
Ele chegou.
— Oi — disse ele, simples, direto, com um sorriso que parecia não ter peso nenhum.
E eu?
Eu não consegui responder na mesma altura.
— Oi… — minha voz saiu baixa, quase tímida. Quem é essa pessoa?
Ele começou a falar. Algo sobre o dia, sobre alguma coisa banal que normalmente eu nem prestaria atenção. Mas eu estava ali, completamente presa em cada palavra, cada pausa, cada respiração.
E o pior…
Eu não conseguia ficar estável.
Minhas mãos estavam levemente úmidas. Meu corpo parecia não saber onde ficar. Eu queria me aproximar… e fugir ao mesmo tempo.
Que tipo de conflito é esse?
— Você está bem? — ele perguntou, olhando diretamente nos meus olhos.
E foi aí que eu quase me perdi.
Aquele olhar.
Firme. Calmo. Presente.
Eu desviei.
— Estou… só um pouco cansada.
Mentira.
Eu não estava cansada.
Eu estava… tomada.
Ele continuou falando, e em algum momento eu toquei o braço dele. Foi automático. Natural. Como se eu precisasse confirmar que ele era real.
Mas quando ele retribuiu o toque…
Eu recuei.
Instantaneamente.
Como se tivesse encostado em algo perigoso.
Por quê?
— O que você está fazendo? — perguntei para mim mesma, enquanto fingia normalidade.
Ele não pareceu notar. Ou talvez tenha notado e escolheu não dizer nada.
E isso me incomodou mais ainda.
Porque eu queria que ele percebesse.
E ao mesmo tempo… não.
🌙 Naquela noite
Eu não consegui dormir.
O barulho distante dos carros invadia o quarto. Um cachorro latiu algumas vezes. O vento fazia a cortina dançar suavemente.
E eu ali.
Pensando.
Pensando nele.
Pensando em tudo.
— Isso é o quê? — perguntei, olhando para o teto.
Silêncio.
— Coração… fala comigo.
E foi estranho.
Mas parecia que ele respondeu.
— Você já sabe.
— Não sei! — respondi em pensamento, quase irritada. — Isso não estava no plano.
— Nem tudo precisa estar.
— Eu não quero isso agora…
— Mas você quer sentir.
Eu virei de lado, puxando o travesseiro contra o rosto.
— Eu não quero me machucar.
— Então você prefere não viver?
Aquilo me calou.
Eu senti um nó na garganta.
— E se for só coisa da minha cabeça?
— E se não for?
Lágrimas.
Silenciosas.
Confusas.
Inesperadas.
🌅 Os dias seguintes
Ele não saía da minha cabeça.
Mais da metade do meu dia… era ele.
Coisas que ele mencionava começavam a aparecer na minha frente. Uma música. Um lugar. Um detalhe.
Era como se o mundo tivesse conspirando.
E eu odiava isso.
Porque eu não tinha controle.
— Para — eu dizia para mim mesma.
Mas não parava.
Eu queria saber tudo sobre ele.
Como foi o dia dele.
Com quem ele falou.
Se… ele pensou em mim.
E isso me assustava.
Porque eu nunca fui assim.
Nunca.
Eu sempre fui racional. Controlada. Previsível.
E agora?
Eu estava me tornando alguém que eu não reconhecia.
🌧️ O conflito
Teve dias que eu fugi.
Literalmente.
Vi ele de longe… e atravessei a rua.
Ignorei mensagens.
Fingi ocupação.
Fingi indiferença.
Mas dentro…
Era um caos.
— Você é ridícula — eu dizia para mim mesma.
— Só estou me protegendo — eu respondia.
— De quê?
— De sentir demais.
— E desde quando sentir é errado?
Eu não sabia responder.
🌫️ A saudade
Era recente.
Mas já doía.
Um aperto estranho no peito. Uma ausência que não fazia sentido.
Como alguém pode fazer falta tão rápido?
— Isso não é normal — eu repetia.
Mas talvez fosse.
Talvez eu só nunca tivesse vivido isso antes.
🌤️ O retorno
Teve um dia que eu cansei de fugir.
Eu simplesmente… parei.
Respirei fundo.
E fui.
O vento estava suave. O céu meio nublado. Os pássaros faziam um som distante, quase como trilha sonora de algo que eu não conseguia nomear.
E lá estava ele.
Como sempre.
Simples.
Presente.
— Você sumiu — disse ele, sem acusação. Só constatação.
Eu respirei fundo.
— Eu sei.
Silêncio.
Ele me olhou. Esperando.
— Eu… não sei lidar com isso — falei, finalmente.
— Com o quê?
Eu hesitei.
Meu coração acelerou de novo.
Mas dessa vez…
Eu não fugi.
— Com você… com o que eu sinto quando estou perto de você.
Ele não falou nada por alguns segundos.
E esses segundos pareceram uma eternidade.
— E o que você sente?
Eu sorri… nervosa.
— É exatamente isso que me assusta.
Ele deu um leve sorriso.
E, pela primeira vez…
Eu não recuei quando ele chegou mais perto.
🌌 Sem respostas
Eu ainda não entendo.
Ainda não sei o que isso é.
Ainda tenho medo.
Ainda converso com meu coração como se ele fosse outra pessoa.
E talvez seja.
Mas uma coisa mudou.
Eu parei de lutar contra sentir.
Não porque eu tenho certeza.
Mas porque…
Eu quero descobrir.
Mesmo sem respostas.
Mesmo com medo.
Mesmo com dúvidas.
Hoje, eu só quero viver o próximo dia.
Sentir o próximo encontro.
Ou até mesmo… a próxima ausência.
Porque, pela primeira vez…
Eu não quero fugir de mim.


A wonderful serenity has taken possession of my entire soul, like these sweet mornings of spring which I enjoy with my whole heart. I am alone, and feel the charm of existence in this spot, which was created for the bliss of souls like mine. I am so happy.
my dear friend, so absorbed in the exquisite sense of mere tranquil existence, that I neglect my talents.
I feel that I never was a greater artist than now. When, while the lovely valley teems with vapour around me, and the meridian sun strikes the upper surface of the impenetrable foliage of my trees, and but a few stray gleams steal into the inner sanctuary.