Um texto intenso sobre como o amor e a angústia caminham juntos, revelando a profundidade dos sentimentos e a dificuldade de desapegar de quem marcou a alma.

Amores e angústias

Amores e angústias caminham lado a lado.

Quase nunca chegam separados.

Porque todo amor profundo carrega algum medo escondido:
o medo da perda,
da ausência,
da mudança,
do silêncio que surge onde antes havia presença.

Amar é abrir espaço.
E toda abertura também nos torna vulneráveis.

Há amores que trazem paz.
Outros despertam tempestades.
Alguns nos fazem florescer.
Outros nos obrigam a encarar partes nossas que evitávamos há anos.

Mas talvez a angústia mais cruel
não seja perder alguém.

Talvez seja perceber
que certas pessoas conseguem habitar nossa mente
mesmo quando já não habitam mais nossa vida.

E então começa a batalha silenciosa:
o coração tentando permanecer,
enquanto a razão implora para seguir.

As lembranças viram armadilhas.
As músicas ganham peso.
Os lugares guardam fantasmas.
Até o silêncio parece repetir nomes que tentamos esquecer.

Mas existe algo curioso nos amores que doem:
eles também revelam profundidade.

Porque ninguém sofre intensamente
por aquilo que nunca tocou sua alma de verdade.

As angústias não nascem apenas da ausência.
Nascem do significado.

Do que poderia ter sido.
Do que quase aconteceu.
Do que mudou dentro de nós.

E ainda assim…
mesmo feridos,
continuamos amando.

Porque o ser humano suporta muitas coisas,
mas raramente consegue abandonar completamente aquilo que um dia o fez sentir vivo.

 

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