Tem dias que eu acordo e parece que minha mente ainda não decidiu qual versão minha ela vai colocar para rodar. Olho no espelho e não sinto um troféu de felicidade, mas também não estou na pior fossa do mundo. Não estou pilhado de ansiedade, mas também não estou na paz de um monge. Eu fico ali, bem no meio, em um espaço meio cinza onde nada é cem por cento certo. Com o tempo, comecei a entender que eu não sou um bloco de pedra que nunca muda. Eu sou muito mais parecido com a água, mudando de forma dependendo do vento, do clima ou de quem passa por mim. Sou feito de fases, de momentos, de pequenas variáveis. Um simples bom dia de um desconhecido na rua ou a luz do sol batendo na janela da cozinha no fim da tarde podem mudar completamente o rumo do meu dia.
Nem toda manhã começa igual
Em algumas semanas, o mundo parece pequeno demais para a minha energia. Se tem alguém especial por perto, se ouço uma risada que eu gosto ou se tenho um plano legal para o fim de semana, eu entro em um êxtase gigante. O peito até aperta de tanta vontade de viver. Nesses dias, sou aquela pessoa solar, que puxa assunto, que tenta animar todo mundo e que parece ter a vida totalmente resolvida. Mas aí, do nada, a terça-feira chega trazendo um tédio opaco, um vazio estranho que nem dói, mas que deixa tudo meio sem cor. As horas demoram uma eternidade para passar, e meu único plano viável se torna ficar deitado no sofá olhando para o teto, assistindo o tempo correr. E sabe de uma coisa? Aprendi que está tudo bem. Esse silêncio também sou eu. Esse vazio também faz parte de quem eu sou.
“A vida não exige que sejamos iguais todos os dias; ela apenas nos convida a sermos verdadeiros em cada versão de nós mesmos.”
A pressão de sermos sempre constantes
Acho que o maior erro da nossa geração é essa pressão insana por constância. A internet e o mundo cobram que a gente seja uma linha reta o tempo todo. Você precisa ter a mesma estética, a mesma opinião, a mesma produtividade e o mesmo humor de janeiro a dezembro. Se você tem dezoito anos, cobram que você escolha a profissão da sua vida agora. Se tem trinta, cobram estabilidade, sucesso, um feed perfeito e uma felicidade que mais parece comercial de TV. Mas a verdade que ninguém posta nos stories é que ninguém é uma coisa só. Nós somos uma colagem de tudo o que a gente vive e de todo mundo que a gente conhece. Às vezes, no meio de um dia péssimo, um amigo manda uma mensagem boba ou alguém te dá um abraço sincero. Sem perceber, aquela pessoa te doa um pedaço do alívio dela, e isso limpa aquela energia ruim que estava pesando nos seus ombros. É uma troca bonita e silenciosa.
Quando as pessoas influenciam nossas emoções
Só que essa mesma facilidade de absorver as coisas boas também me deixa vulnerável para os dias ruins. Nem todo mundo que cruza nosso caminho está em um momento bom. Tem dias em que a gente esbarra em pessoas que estão cheias de amargura, mágoa ou frustração, e elas acabam descarregando isso na primeira pessoa que encontram pela frente. Eu já passei muito por isso. Aquela sensação horrível de entrar em uma conversa leve e sair dela se sentindo exausto, pesado, como se tivessem sugado toda a minha vibe positiva e deixado um rancor que nem era meu no lugar. São as frequências do momento. A gente sintoniza no canal errado sem querer, absorve o humor dos outros e acaba carregando um peso que não nos pertence. Viver, para mim, virou esse exercício diário de aprender a surfar entre as ondas calmas e os mares revoltos das pessoas que me cercam.
Aprendendo a aceitar todas as nossas versões
E é nesse vai e vem que eu vou existindo nas minhas várias versões. Tem a minha versão que sente tudo de um jeito muito intenso. Aquela que chora assistindo a um vídeo bobo, que fica remoendo o tom de voz que alguém usou em uma resposta ou que se importa demais com o ponto final de uma mensagem no WhatsApp. Tem também a minha versão que se protege, que levanta muros altos de silêncio, que fica mais fria ou irônica porque está com medo de se machucar de novo. E tem a versão que simplesmente quer viver, que se joga de cabeça, que faz planos na madrugada e acredita que tudo vai dar certo. Nenhuma dessas versões anula a outra. Elas se completam. A vida não tem graça se a gente tocar a mesma nota o tempo todo; a gente precisa dos dias graves e dos dias agudos para a música fazer sentido.
A coragem de continuar mudando
O problema é que esse meu jeito meio instável, meio oceano, não é fácil de entender para quem está olhando de fora. Às vezes, a minha versão do dia é alguém super sério, de cara fechada, que prefere ficar no canto e não quer muito papo. Quando fico assim, mais na minha, eu noto o olhar de preocupação dos meus amigos ou de quem namora comigo. Consigo sentir o medo deles acharem que eu mudei, que estou me afastando de propósito ou que desisti da nossa relação. Se você já se sentiu assim perto de mim, eu te peço desculpas. É sério. É só um momento meu. É um pedido de paciência silencioso que eu faço para quem está do meu lado: por favor, não desiste de mim quando o meu inverno interno demorar um pouco mais para passar. Minha seriedade não significa que deixei de amar ou que não me importo; é só a minha mente pedindo um tempo para colocar as ideias no lugar.
Nem toda fase precisa ser explicada
Mas esse meu isolamento nunca é definitivo. Eu trago dentro de mim uma vontade muito grande de melhorar, de evoluir e de superar os meus próprios limites. Ter várias versões não me faz alguém falso ou alguém que muda de lado por conveniência; só mostra que estou vivo, tentando acertar em um mundo que é confuso demais. Pode falar comigo, eu sei ouvir. Se o meu jeito mais fechado causou algum mal-entendido ou se a minha versão mais defensiva acabou magoando você sem querer, eu não vou fugir da conversa ou inventar desculpas baratas para me justificar. Eu quero sempre melhorar. Eu quero sentar, entender o que aconteceu e achar um jeito de consertar as coisas. Eu tenho um compromisso de verdade com o afeto. Quero aprender a caminhar por essa vida dividindo o espaço com você, sem pisar no seu pé, encontrando sempre uma forma de não te ferir.
Ser verdadeiro vale mais do que parecer perfeito
No fim das contas, vou seguindo o meu caminho desse jeito. Não sou todo doado, mas também não sou um poço de egoísmo. Não sinto muito, nem pouco. Nem sempre calmo, nunca totalmente surtado. Para a nossa geração, que vive cansada de tentar equilibrar as cobranças do futuro com as inseguranças do presente, a grande virada de chave é entender que a gente não precisa achar uma resposta definitiva para “quem nós somos”. A beleza real está em olhar no espelho, ver esse reflexo que muda o tempo todo e ficar de boa com isso. É aceitar cada uma das nossas versões, sabendo que amanhã o despertador vai tocar e a gente vai ter a chance de começar uma história inteiramente nova de novo.
Como sentiu o texto agora? Essa linguagem mais direta, sem “palavras difíceis”, mas mantendo a sensibilidade do seu desabafo original, funciona melhor para o que você quer passar no blog?
Intenção de Busca
Informacional + Inspiracional
Este artigo responde dúvidas de leitores que procuram:
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