Jovem desanimado com caderno de ideias amassadas sendo chamado de iludido por sonhar alto Title: sonhei alto demais me chamaram de iludido

Eu sonhei alto demais e me senti iludido

E u sempre sonhei alto demais para o tamanho da sala onde eu estava. Desde pequeno eu falei de coisas que ninguém ao meu redor tinha feito. Queria ter um negócio, viajar o mundo, criar algo que as pessoas lembrassem, viver de ideias. Eu não falei por mim achar melhor, falei porque era o que acendeu meu olho. Só que quanto mais eu contava, mais eu sentia o clima frio. Vinha o silêncio constrangedor, a risadinha de canto, o famoso “tá, mas e o plano B?”. Eu comecei a achar que tinha algo errado comigo. Todo mundo parecia tão confortável em sonhar pequeno e seguro, e eu ali, com um sonho que não cabia no meu bolso, na minha cidade, no meu currículo. Eu fui guardando meus sonhos na gaveta para não incomodar. E a cada sonho guardado, eu fiquei um pouco menor. Até que um dia eu entendi que o problema nunca foi sonhar alto, foi contar meus sonhos altos para gente com teto baixo. E se você sente isso agora, essa história é para você.

O problema nunca foi sonhar alto. Foi contar sonhos altos pra gente com teto baixo.

Quando eu disse que estava viajando demais na maionese

A primeira tapa veio da minha própria família. Eu tinha 19 anos e estava empolgado que queria largar um emprego estável para tentar algo meu. Eu tinha feito umas contas num caderno, tinha um nome, uma ideia maluca mas cheia de vontade. Eu esperava um “vai lá, tenta”. O que eu recebi foi: “você está iludido, menino. Isso não dá dinheiro. Para de inventar moda”. Na hora eu ri. Por dentro, desabei.

Depois vieram os amigos. Eu contava sobre um projeto e eles mudaram de assunto. Ou falamos: “todo mundo quer isso”. Ou pior: “conheço gente que tentou e se deu mal”. Eu comecei a me podar sozinho antes mesmo dos outros me podarem. Eu entrei em lugares e já pensei: melhor não falar que eu quero algo grande, vou achar que sou arrogante. Fui aceitando trabalhos que não tinham nada a ver comigo, só para provar que eu era pé no chão. E quanto mais pé no chão eu estava enterrado, mais enterrado eu me senti.

Teve uma época que eu acreditei que sonhar alto era defeito de caráter. Que gente séria não sonha, executa o que já existe. Que sonhador é consequência de inspiração que não quer trabalhar. Eu me esforcei para ser realista. Realista virou sinônimo de pequeno. Eu dizia “não, deixa quieto, não vai rolar mesmo” antes de qualquer pessoa dizer. Eu matei umas três ideias boas assim, no berço, sem nem dar chance de respirar. Por medo de ouvir de novo que eu era iludido.

O fundo do poço foi quando uma pessoa que eu admirava muito me disse, com toda a boa intenção do mundo: “você precisa sonhar menos e fazer mais”. Eu sei que ela queria me ajudar. Mas o que eu ouvi foi: o tamanho do seu sonho é um problema. Fiquei duas semanas sem abrir aquele caderno. Eu me senti ridículo. Achei que todo mundo estava vendendo o quanto eu era amador. Eu olhei no espelho e via um cara cheio de vontade, mas sem permissão interna para ir.

O que ninguém te conta é que foi chamado de iludido dói porque toca numa ferida muito antiga: a de não ser levada a sério. Não é só sobre o sonho, é sobre você. É sobre sentir que as pessoas não acreditam na sua capacidade de construir algo grande. E quando você ouve isso o suficiente, começa a agir como alguém pequeno. Você atrasa. Você se esconde. Você negocia para baixo. E chama isso de maturidade, quando a verdade é medo com fantasia de responsabilidade. Eu vivi anos nesse modo economia de mim mesmo.

A virada: entendi que iludido é quem nunca entendeu

A virada não foi uma palestra motivacional. Foi um dia comum, numa terça-feira, que eu cansei de me diminuir para caber. Eu abri o caderno de novo e escrevi uma frase que mudou tudo: “e se eu estiver certo sobre mim?”. E se o meu sonho não for grande demais, mas o ambiente for pequeno demais? E se eu estiver pedindo opinião para quem nunca fez o que eu quero fazer? Naquele dia eu parei de pedir permissão e comecei a pedir orientação só para quem já tinha feito o caminho. Eu entendi três coisas que me salvaram. Primeiro: sonho grande não se discute, se executa. Você não precisa convencer ninguém. Você precisa provar para você, todo dia, em pequenas entregas. Segundo: vão te chamar de iludido até o dia em que vão te chamar de gênio, a distância entre um e outro é só. Terceiro: o sonho não precisa ser realista agora, ele precisa ser claro. Clareza gera ação. Ação gera prova. Prova cala a crítica, inclusive a interna.

PASSO 1 – QUEBRE O SONHO GIGANTE EM METAS DE 30 DIAS
Eu peguei meu sonho enorme e quero: o que eu posso fazer nos próximos 30 dias que me deixa 1% mais perto? Não era largar tudo. Era estudar 45 minutos por dia, juntar 300 reais por mês, mandar 5 mensagens para pessoas da área, gravar 3 vídeos testes. Quando você quebra o sonho em pedaços ridiculamente abaixo, seu cérebro para lutar contra ele. Iludido é quem só fala. Sonhador repetírvel é quem tem calendário. Eu colei na parede: sonho anual, meta trimestral, ação semanal, hábito diário. Ficou impossível me perder.
PASSO 2 – FAÇA DIETA DE OPINIÃO ALHEIA
Eu criei uma regra: só aceita crítica de quem já construiu algo parecido com o que eu quero. O resto é barulhento. Parei de contar meus planos para todo o mundo e comecei a contar apenas progresso para poucas pessoas. Silenciamos grupos, parei de seguir perfis que me fizeram sentir atrasado e troquei por pessoas que estavam fazendo. Toda vez que vinha o pensamento 'vão me achar iludido', eu respondia: 'ótimo, que achem. Eu vou continuar fazendo'. Em três meses, a ansiedade diminuiu 80% só porque eu parei de alimentar a placa errada.
PASSO 3 – PROVA DIÁRIA DE 30 MINUTOS
Todo dia, antes de qualquer coisa, eu dava 30 minutos de prova para o meu sonho. Sem Instagram, sem desculpa. Era escrever, estudar, prototipar, vender. 30 minutos intocáveis. Quando você faz isso por 90 dias, você não precisa mais acreditar que é capaz, você tem evidência. A evidência é mais forte que a opinião. Hoje, quando alguém me chama de iludido, eu sorrio e penso: 'tomara que você esteja certo, porque a minha ilusão está pagando minhas contas e me deixando em paz'.
CONCLUSÃO
Hoje eu ainda sonho alto. A diferença é que agora tenho pernas para sustentar a altura. Eu aprendi que ninguém que fez algo grande foi chamado de realista no começo. Todo mundo grande já foi iludido da roda. Se você te chamou de iludido, talvez seja apenas um sinal de que você está olhando mais longe que a mídia. Não diminua seu sonho, aumente sua disciplina, seu ambiente e sua coragem. Sonho sem ação é ilusão mesmo. Mas sonho com rotina, com estudo, com coragem de ser julgado, vira plano. O plano vira vida. Se você está nessa fase de ser desacreditado, continue. O mundo precisa de gente que sonha alto e tem coragem de fazer o óbvio todo dia até acontecer. E acontece.

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